Aqui vão sendo deixados pensamentos e comentários, impressões e sensações, alegrias e tristezas, desânimos e esperanças, vida enfim! Assim se vai confirmando que o Homem é, a jusante da circunstância que o envolve, produto de si próprio. 2004Jul23
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segunda-feira, 8 de outubro de 2012
domingo, 1 de julho de 2007
1164. Os responsáveis




António Costa prepara-se para, com uma perna às costas, sem mérito especial e com enorme ajuda do governo do senhor Pinto de Sousa (o próprio Costa se encarregou já de o confirmar, propalando aos quatro ventos que o Governo o vai ajudar a pagar as dívidas da CML), vencer as próximas eleições na autarquia de Lisboa, em 15 do corrente.
Mas as ajudas que recebe não são apenas as que virão do governo, que mais para a frente se verão quais serão, na totalidade. Não são apenas essas, nem sequer são essas as decisivas para o resultado final.
Porque o facto decisivo para aquela que se prefigura como a fácil vitória de Costa é da total e exclusiva responsabilidade de Carmona Rodrigues e/ou Fernando Negrão, a ambos se podendo associar por inteiro Luís Marques Mendes.
Esta circunstância - já intuída de há muito - recebeu plena confirmação na última sondagem, publicitada há dois dias.
Nela se prevê a vitória de Costa com um total de 33% dos votos, seguido de Fernando Negrão com 18% e Carmona Rodrigues com 17,5%. Ou seja, mesmo descontando a aleatoriedade destas consultas de intenção de voto (cada qual encomenda as que mais lhe convêm), conclui-se que, sendo como os resultados apontam, o pleno dos votos de Negrão e Carmona - ainda que perdendo volume percentual por estarem divididos - ultrapassa o de Costa.
Acontecerá assim, muito previsivelmente, aquilo que acima ficou dito, ou seja, a tremenda responsabilidade de Negrão e Carmona na circunstância de o esforço dos eleitores de um e de outro resultarem infrutíferos, por falta de senso político e noção da responsabilidade cívico-eleitoral de ambos.
Movimentando-se em campos que se sobrepõem, os dois candidatos "assassinam-se" mutuamente e oferecem a Costa aquilo que ele jamais pensou vir a conseguir. A ele e também a Pinto de Sousa, que, assim, se vê livre de um concorrente dentro do seu próprio partido, em 2009.
Mas as ajudas que recebe não são apenas as que virão do governo, que mais para a frente se verão quais serão, na totalidade. Não são apenas essas, nem sequer são essas as decisivas para o resultado final.
Porque o facto decisivo para aquela que se prefigura como a fácil vitória de Costa é da total e exclusiva responsabilidade de Carmona Rodrigues e/ou Fernando Negrão, a ambos se podendo associar por inteiro Luís Marques Mendes.
Esta circunstância - já intuída de há muito - recebeu plena confirmação na última sondagem, publicitada há dois dias.
Nela se prevê a vitória de Costa com um total de 33% dos votos, seguido de Fernando Negrão com 18% e Carmona Rodrigues com 17,5%. Ou seja, mesmo descontando a aleatoriedade destas consultas de intenção de voto (cada qual encomenda as que mais lhe convêm), conclui-se que, sendo como os resultados apontam, o pleno dos votos de Negrão e Carmona - ainda que perdendo volume percentual por estarem divididos - ultrapassa o de Costa.
Acontecerá assim, muito previsivelmente, aquilo que acima ficou dito, ou seja, a tremenda responsabilidade de Negrão e Carmona na circunstância de o esforço dos eleitores de um e de outro resultarem infrutíferos, por falta de senso político e noção da responsabilidade cívico-eleitoral de ambos.
Movimentando-se em campos que se sobrepõem, os dois candidatos "assassinam-se" mutuamente e oferecem a Costa aquilo que ele jamais pensou vir a conseguir. A ele e também a Pinto de Sousa, que, assim, se vê livre de um concorrente dentro do seu próprio partido, em 2009.
Mais:
O senhor Pinto de Sousa consegue, por artes mágicas de adversários inábeis e pouco despertos para as realidades da vida, livrar o corpo da vergastada de terceira e retumbante derrota consecutiva (presidenciais e legislativas regionais foram as primeiras) após ter sido, ele próprio, eleito com ajudas imensas e pouco curiais, em Fevereiro de 2005.
Aqui se pode, por conseguinte, aquilatar do enorme serviço que aqueles senhores estarão a prestar ao PS de Pinto de Sousa - curiosamente PS também ;-) - e, consequentemente, o tremendo desaire que irão oferecer em bandeja de lata ferrugenta aos respectivos eleitores.
Lógico seria que fossem sopesados os pratos dos prós e contras da atitude que se impõe que seja tomada, mas que não o será, como bem sabemos.
E que conteriam esses pratos? Bem, enquanto que num estaria o "sacrifício" de um qualquer dos referidos candidatos, no outro estaria o interesse de Lisboa, dos lisboetas e, em primeiro plano, o dos respectivos eleitores.
Nada disso, o sacrifício de um, porém, irá acontecer, pelo que a vitória de Costa se ficará a dever ao enorme demérito político e de cidadania daqueles seus adversários e não a mérito próprio.
E assim anda a política - pequenina, pequenina - deste nosso Portugal.
Falta referir o terceiro responsável pela patética vitória de Costa.
Luís Marques Mendes é responsável também neste caso e talvez seja mesmo o primeiro deles, pela política que tem conduzido - melhor dito, pela política por que se tem deixado conduzir - não só em todo o processo autárquico lisboeta (e de longa data), mas relativamente a toda a actividade do próprio Partido Social Demcrata. A continuar assim, o partido tenderia a desaparecer, não fora o núcleo duro dos seus eleitores, que, haja o que houver, não o deixa tombar abaixo dos 30%, a não ser episodicamente, como aconteceu em 1985, com Cavaco, que, ainda que abaixo daquela fasquia, venceu as legislativas.
Aqui ficam, pois, apontados. Para a posteridade. Para todos os efeitos da posteridade, incluindo a conferência, em 15 do corrente, do que agora fica dito.
* * *
No caso de surgir algum rasgo de senso comum na actuação dos referidos três senhores - do que muito se duvida porque não se lhes vislumbra rasgo, golpe de asa e desprendimento para tal -, que os leve a conversarem e a ajustarem posições, com o tal "sacrifício" de um deles, é por demais evidente que o sacrificado teria que ser Fernando Negrão.
Mesmo descontando outras razões, igualmente muito ponderosas, avulta a do assombrosamente fraco conhecimento que tem revelado da causa autárquica em geral, mas principalmente da lisboeta, cujo ácume se verificou no já célebre episódio daquilo que, em desespero de causa, se tenta agora apresentar como mera e natural gaffe resultante de confusão de siglas, mas que todos quantos tiveram oportunidade de ouvir com atenção e não são tolos, sabem bem que se tratou de algo bem mais grave e penoso. De uma total confusão de propostas, só possível por nítida e incompreensível ausência de estudo de dossiers, aliada a débito de um conjunto de banalidades inconsequentes e introduzidas à pressa e descuidadamente no discurso oficial do candidato.
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quarta-feira, 16 de maio de 2007
1070. Negrão ?!
Todas as personalidades que até ao momento se foram apresentando ou sendo indicadas como candidatas à presidência da Câmara Municipal de Lisboa não se constituíram em qualquer surpresa. Eram todas, mais ou menos, esperadas.Mas... todas mesmo? Não. Realmente nem todas. Porque há uma que constitui enorme surpresa.
Quem é que alguma vez iria pensar que Fernando Negrão viria a ser o candidato a apresentar pelo Partido Social Democrata? É preciso que se tenha presente, entre outras circunstâncias, que Negrão foi, em 2005, em Setúbal, onde se encontrava bem mais à vontade, perdedor sem remissão. Contra adversários incomparavelmente mais fracos.
Surpresa total, pois!
Percebeu-se bem a lógica e coerência do pensamento de Luís Marques Mendes, quando optou por forçar a que Carmona Rodrigues renunciasse ao cargo e que, uma vez não tendo aquele (porque independente) dado qualquer espécie de crédito ao "pedido", tenha decidido pela renúncia dos vereadores do PSD na CML. Percebeu-se, pois. Quando menos, por questão de coerência linear, de outro modo não teria podido agir.
Torna-se, contudo, extremamente difícil de perceber a que critérios obedece a indicação, pelo mesmo Luís Marques Mendes, do nome de Fernando Negrão para encabeçar a lista.
É certo que se trata, pelo menos e tanto quanto se sabe, de uma segunda escolha, pelo que se adivinham dificuldades, quiçá insuperáveis, na indicação de alguém que, na fase em que estão as coisas, se mostre disponível. A notícia da declaração da não disponibilidade de Fernando Seara, feita pelo próprio, foi por demais elucidativa.
Não deixa, no entanto, de se constituir em factor de surpresa. Enorme.
A política em Portugal está transformada numa autêntica girândola de nonsense. Não há dúvida.
E, evidentemente, cada qual faz o que pode!... E... como pode!
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quinta-feira, 3 de maio de 2007
1043. Nem sempre mal...
Desta vez, Marques Mendes portou-se bem. Fez o que devia. Haja Deus!Perante os sucessivos desenvolvimentos na Câmara Municipal de Lisboa, tomou a única decisão que deveria ter tomado. E mais: na medida certa, com o quantum salis indispensável. Nem a mais nem a menos.
Em face da situação no executivo da autarquia lisboeta, havia que - até por posições que anteriormente assumira - pôr cobro àquela fantochada, sem demora e sem esperar que o empurrassem. Fê-lo, de modo sereno, sem gritarias histéricas nem hesitações.
Em face da situação que se verifica na Assembleia Municipal, havia que mantê-la, porque uma coisa é o executivo, outra, bem diferente, a Assembleia. A legitimidade de uma não afecta a da outra. Querer que assim seja é pura tolice.
Vir-se dizer, como têm vindo as Oposições, que uma coisa leva à outra, é patetice de uns e má fé de outros
Uns e outros que, aliás e vergonhosamente, ainda não foram capazes de tomar idêntica atitude em situações semelhantes. No entanto, logo moralistas de ma figa podre, querem apresentar-se como santos de altar. Carunchoso, só pode; cheio de bicho, claro. Mas sem pingo de vergonha na cara.
Aponto casos concretos e que não deixam dúvidas:
Felgueiras (Fátima), Oeiras (Isaltino), Salvaterra de Magos (BE), Setúbal (PC), e outros ainda de maior gravidade que apenas não estão mais avançados, porque há muita gente a tentar encobrir a todo o custo e a contar com a tradicional falta de memoria dos portugueses.
Mas não esquecemos, não.
Enquanto casos como o de José Sócrates não forem devidamente esclarecidos numas circunstâncias e punido em outras - aquelas em que está provado, sem sombra de dúvida, que houve ilícito criminal - não esqueceremos.
E continuaremos indignados. E envergonhados. E quando, em Julho, tivermos cá os representantes da UE, por força da presidência portuguesa, ainda mais envergonhados nos sentiremos. E mais indignados. É justa ou não a nossa indignação, Sr. Mário Soares? Que me diz?
Há, ainda, o papel do presidente da república em todo este processo. Fica, contudo, para outra oportunidade, que esta coisa de "rainhas de inglaterra", titulares inimputáveis de cargos públicos, em república de regime semi-presidencialista, tem muito que se lhe diga! Olá se tem!...
Há, todavia, outras marés...
Desta vez, o elogio vai para Marques Mendes, cuja actuação não tem sido, nada mesmo, do meu agrado. O que é justo é justo. E, assim, não posso deixar de referir que, neste caso, ao menos neste caso, andou muito bem.
Não que seja caso para aplauso. Quando se faz o que deve ser feito, não há lugar a aplauso, porque apenas se cumpriu o dever, a razão, afinal, por que se está no lugar em que se está.
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