Que a Blogosfera veio revolucionar o mundo e a forma como nós, cidadãos desse mundo, nos encaramos mutuamente, é coisa fora de qualquer dúvida.Como afirma Eduardo Lunardelli, em magnífico post intitulado Duas palavras no Varal, no seu excelente Varal de ideias, fazendo referência directa a um notável texto do italiano Marino Niola , lido no blog Psicocafé, "(...) a blogosfera é um espaço livre para toda a comunidade humana. É uma pequena e simples janela para entrever a realidade do outro, ou mesmo a verdadeira “porta aberta para entrar” aonde todos podem-nos visitar, dando as suas opiniões em redes sociais de livre escolha (...)".E acrescenta, pondo uma questão extremamemnte pertinente:(...) A unidade do género humano começa na blogosfera: “Não mais comunidade local, e localizada, baseada na proximidade geográfica, residencial, citadina, mas na forma inédita de pertence”. Assim, nós bloggers, somos uma nova categoria de ser humano, os nossos comportamentos nos permitem verificar como toda a humanidade está mudando toda “categoria de identidade e de aparência: sempre mesmo material, substancial, fixo e sempre mais flutuantes, móveis, convencionais”. É isso que somos? Não teremos consistência relacional uns com os outros? Será que a lista de links aí ao lado, nada quer dizer na realidade (...)".Na verdade, caro Eduardo, eu diria que a unidade do género humano recomeça na blogosfera. Depois de por milénios ter andado mutuamente afastada, por fronteiras, por ideias, pela diversidade de línguas, eis que a Blogosfera lhe veio dar os instrumentos de que necessitava para se reunir como nunca antes, para dialogar sem fronteiras, sem outras barreiras que não as impostas pela vontade de cada um per se.Muito caminho há ainda para percorrer, mas a rota está finalmente traçada. Sim, Eduardo, meu amigo, é isso que somos, actualmente.
Evidentemente que temos consistência relacional uns com os outros, mas não a tendo perdido e, em inúmeros casos, tendo-a mesmo aprofundado e, sem dúvida alargado, ganhámos uma outra consciência de importância vital para a sobrevivência do homem enquanto animal de relacionamento social indispensável: a do relacionamento a nível global, a do relacionamento entre todos os homens.Graças à Blogosfera e às suas virtualidades sem medida, tendo em atenção igualmente as novas funcionalidades postas ao dispor de qualquer um - como a tradução expedita de textos em número quase incontável de linguajares do mundo - é hoje fácil o relacionamento , geral e imediato, com qualquer cidadão do mundo e, desse modo, a possibilidade de confrontar ideias, partilhar alegrias e preocupações, conhecer o semelhante que a cada dia que passa o é mais.
A este propósito e abrindo um parêntese, tenho várias boas experiências de contactos através da Blogosfera, sendo que a mais tocante de todas aconteceu com um estudante universitário de Pequim, aqui há cerca de ano e meio.
Na altura, escrevi uns posts acerca da minha visita à China e da modificação da minha forma de encarar os seus cidadãos que essa visita me causou. E - note-se - eu não era, nem sou, dos mais fechados na minha concha, pois que, tendo vivido cerca de 16 anos numa sociedade plurirracial notável, em Moçambique, muito convivi com gentes de outras latitudes e longitudes, entre os quais inúmeros chineses...
Pois bem, essa troca de opiniões e informações com o jovem pequinense, feita em inglês mas também em mandarim, ainda que eu nada saiba da língua, processou-se com grande fluidez, sem impedimentos. Que outro instrumento teria oferecido tal possibilidade, que não a Blogosfera pelo que é em si mesma e através das suas inúmeras funcionalidades? Claro que esses contactos não se mantiveram por muito tempo. Porquê? A julgar pelo interesse que o meu interlocutor manifestava, estou em crer que terá sido a seu contragosto. Mas isso é já outra história... Que, diga-se em abono da verdade, estará em vias de acabar... por força da Blogosfera também.
Fechado o parêntese que nos desviou do tema central, mas que julguei apropriado, voltemos ao que nos traz a este escrito.
Porque a alegria que faz rir o chinês ou o patagónio, em que é que difere da que em mim provoca igual reacção? E a preocupação que amargura o meu quotidiano difere em quê da do texano ou do indonésio? Talvez na intensidade? Talvez...É evidente que um tal relacionamento global cria exigências sociais a que não estávamos habituados, pelo que deve ser com cuidado e muita atenção que o caminho deve ser trilhado. Mas, a moeda de troca vale a pena, porque está num relacionamento descomplexado, sem preconceitos, completamente open mind. E, com toda a franqueza, não conheço melhor antídoto para a misantropia do que um espírito bem arejado, aberto a novas ideias e conceitos, disponível para conceber a possibilidade de o outro ser diferente de mim, mas, ao mesmo tempo, tão semelhante, mesmo tão igual. Porque, raça humana há uma só: sim, ela mesma, a humana.E termina Marino Viola, afirmando que a Blogosfera é:Un regime democratico, dove ciascuno è opinionista nel libero mercato delle opinioni, senza gerarchie di posizione, senza ruoli, senza il peso dell'autorità. Dove ognuno è quel che scrive, dove tutti hanno pari facoltà d'interlocuzione. È la nuova utopia della libertà e dell'eguaglianza. Compensazione simbolica al malessere attuale della democrazia in carne e ossa.Um regime democrático, onde cada um é agente no livre mercado da opinião, sem hierarquias nem papéis distribuídos, sem a interferência do peso da autoridade. Onde toda a gente escreve, onde todos têm a faculdade de intervir. É a nova Utopia da liberdade e da igualdade. Compensação simbólica pelo actual mal da própria democracia.É realmente isto a Blogosfera. Tão simples quanto isto. Tão indispensável ao entendimento geral entre todos os seres humanos, quanto a cada dia mais se nos evidencia.
Mister é que a saibamos conservar assim, sem adulterações criminosas. Porque só desta forma o mundo acabará por se tornar um sítio mais amigável, em que se possa viver e prosperar. Sem preconceito e medo do outro. Sem receio das nossas próprias reacções.
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Por indesculpável inadvertência minha, no texto acima fiz referência ao post de Eduardo Lunardelli e bem assim ao artigo de Marino Niola, mas não ao interveniente intermédio, Sam de seu nome, do Blog Fenix ad aeternum.
Ora, para ser justo e correcto, há que distribuir os méritos por quem a eles faz jus. Tal como a César deve ser dado o que César é e a Deus o que a Deus pertence, também Sam é merecedor de que se lhe faça justiça. É o que tento nesta adenda.
O amigo Eduardo Lunardelli reportou-se a um post de Sam, este: Uma aldeia chamada blogosfera, pelo que ao seu autor daqui endereço um aceno de simpatia e comunhão de ideias.
Por sua vez, Sam baseara o seu escrito num outro da autoria do já referido Marino Niola. Como se pode ver, a cadeia de interligações começa a ser longa. Efeitos - bons efeitos, aliás - da Boglosfera...
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Sabe-se já que a Portela (um simples aeroporto doméstico) não vai ser substituído pela Ota (mero apeadeiro aéreo, quase submarino...), mas sim e a seu tempo por uma plataforma aérea intercontinental, excelentemente situada, tanto em termos de região do país, como, principalmente, de região europeia.
A sua localização pode, efectivamente, trazer muitos "dissabores" a Madrid (Barajas), que hoje quase monopoliza o tráfego aéreo entre a Europa e a América do Sul, como de e para a própria África.
Para além das circunstâncias relativas àqueles continentes e à própria Europa, há que não esquecer outras mais regionais, digamos assim, mas que conferem à localização em Alcochete excelentes - únicas mesmo - condições.
É que, ali a dois passos, está toda a Extremadura espanhola (que ficará a distar de Alcochete menos de 200kms, enquanto que para Madrid terá que percorrer 400) mas igualmente toda a Andaluzia (que ficará, também ela, muito mais próxima de Alcochete que de Madrid). E é bom que não se esqueça que a Andaluzia tem fortíssimos laços com a América do Sul, especialmente a Argentina, onde vive e trabalha uma enorme comunidade andaluza.
Estes os factores que me levaram à convicção de que a "teima" do governo na solução Ota se devia a pressão espanhola, mais do que qualquer outro factor. E ainda cá estaremos para ver se não terá sido assim...
De qualquer modo, certamente que agora não se voltará atrás.Entendo que Portugal está de parabéns.
Por variadíssimos motivos. Porque, finalmente, vai ter um aeroporto e não um simples apeadeiro aéreo e porque verá uma das suas regiões mais desfavorecidas finalmente a poder usufruir de desenvolvimento capaz, em primeiro lugar. Mas também outros sobre os quais nesta oportunidade não irei debruçar-me.Mas Portugal está de parabéns também e principalmente por outras razões, essas de cariz mais subjectivo mas, talvez por isso mesmo, mais difíceis de ver contempladas, razão por que causam satisfação maior quando se verificam.
Para lá do reconhecimento do papel fundamental do presidente da república (que momentaneamente lá saiu do seu papel de Elizabeth II...) neste processo, travando o que ia já em rota de colisão inevitável com os interesses do País e da muito meritória colaboração da CIP (até que enfim, faz algo que se veja!...), há uma outra vertente que a todos muito dignifica. A quem dignifica, claro! Porque nem todos emergem limpos dos "charcos" da Ota em que se pretendia afundar o aeroporto...
É ela a vertente da cidadania, a vertente da democracia directa!Toda a volta que o assunto levou (a começar pela intervenção do PR) se deveu à enorme pressão exercida pelos cidadãos, individualmente considerados, entre os quais permitam que destaque, por ser inteiramente justo e impostergável, uma pessoa:
O Professor jubilado do Instituto Superior Técnico, António Brotas, figura de saber e de antes quebrar do que torcer, que terçou armas desde o princípio e jamais baixou braços em defesa do que sabia ser justo e melhor para o País. Honra lhe seja, caro Professor! O País está-lhe grato, creia. E bem necessitado está de mais "Antónios Brotas".
Depois, a Blogosfera.
O cidadão anónimo que, como em outros casos - infelizmente ainda não vencidos - não enjeitou a oportunidade de contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento do país, liberto de capelas escusas ou, pelo menos, muito deficientemente iluminadas.
A cidadania activa e responsável é um bem inestimável e a preservar a todo o custo. Se de demonstração esta asserção necessitasse, ela ai estava, pujante e inafastável. E o que é nem precisa de demonstração. Impõe-se per se.Quanto às tristes figuras do Governo, dos seus ministros "jamais" - ou "jamé" ou lá o que é... -, e do próprio senhor Sousa, não causam qualquer embaraço. Pelo contrário, até proporcionam refinado gozo. Quando se verificam "cá dentro". Lá por fora... bem, aí já a coisa muda de figura.
Mas, esqueçamos tristezas e desfrutemos este momento deveres marcante. Mesmo quem dele, da sua importância não se apercebe agora, não tardará a apreendê-la também.
Ruben Valle Santos ...
Sem deslustre para os demais - há muitos com suficientes predicados, os mais variados, para justificarem uma referência - ao pensar num blog que, durante o ano que findou, mais fez jus a um destaque muito especial, de imediato me vem à mente o Do Portugal Profundo, de António Balbino Caldeira.
Na verdade, Do Portugal Profundo consegue congregar em si - e dar-lhes voz - todos os sentimentos mais íntimos de redenção da nossa sociedade de milhares e milhares de portugueses que assistem com funda apreensão à degradação consistente e em crescendo da situação política, moral e social do nosso país.Sem o referir, António Balbino Caldeira faz-nos relembrar a frase célebre de Eça de Queirós que, por motivos muito semelhantes, se bem que, em certa medida não tão graves, afirmou que "aquele governo não cairia porque não era um edifício; sairia com benzina, porque era uma nódoa". E acrescentaremos: nem só o governo; também a sociedade que, afinal, ajudamos a enterrar-se na lama.
Do Portugal Profundo traz-nos mesmo os anseios de liberdade, de democracia de sociabilidade que nos têm sido denegadas a cada dia que passa.
Por isso ele foi, em 2007, o "meu blog". Tal como em 2006... e em 2005... e em 2004, ano em que dele tomei conhecimento.
Honra lhe seja, António!
Aceite um abraço....
1st §.
Many mice surf the web under the illusion that their actions are private and anonymous.
Unfortunately, this is not the way it is. Every time you visit a site for a piece of cheese, you leave a calling card that reveals where you are coming from, what kind of computer you use, and other details. And many cats keep logs of all your visits, so that they can catch you!
2nd §.
This service allows you to surf the web without revealing any personal information.
It is fast, it is easy, and it is free!
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Eu sei que V. sabe inglês. Mas não leve a mal que eu, num acesso de boa disposição, lhe faça uma tradução liberal do texto acima. Aí vai:
1º §.Muitos ratitos navegam na Web na ilusão de que as suas acções fiquem em privado e anónimas.
Infelizmente, não acontece assim. Cada vez que você visita um local para roubar um pedaço de queijo, deixa um cartão de visita que revela de onde vem, que tipo de computador usa e outros detalhes. E muitos gatos guardam relatórios de todas as suas visitas, de modo a que possam apanhá-lo!
2º §.Este serviço permite que você navegue na Net sem revelar qualquer informação pessoal.
É rápido, é fácil e é livre.
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Todo o 1º parágrafo do texto corresponde à verdade.
E tudo seria um mar de rosas se o texto inserido do 2º parágrafo correspondesse também. O que, por azarada desventura, não acontece.
Alguns dos rastos que ficam são os seguintes, tirados ao acaso, dias atrás e hoje mesmo:
http://anonymouse.org/cgi-bin/anon-www.cgi/http://helio.car.regueiro.blogspot.com/
ou
http://anonymouse.org/cgi-bin/anon-www.cgi/http://marieta.nao.brotes.blogspot.com/
ou, até,
http://anonymouse.org/cgi-bin/anon-www.cgi/http://cem.mato.os.blogspot.com/
Por aqui se vê que o mouse/rato se quis camuflar, mas, afinal, deixou a cauda de fora, de tal modo que o gato nem precisou de qualquer esforço para o topar.
Assim se vê como as coisas não são como se pensa que sejam e há, espalhadas pela Web, publicidades que não direi enganosas, mas, enfim, imitam bem um primeiro ministro que a gente conhece de gingeira. Olarila!
Daqui se retira que o melhor a fazer é aparecer-se em cada Blog de cara destapada e lavada.
É muito mais simples e não causa tantos incómodos... nem risos... como o que é despoletado quando se aparece de cara toda tapada, púdica até à quinta potência, e de rabo à vela, absolutamente ao dispor de todos (da vista de todos, bem entendido!...), capaz até de se constipar, credo!
N'é?
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Estou a ficar verdadeiramente estupefacto!De ontem para hoje, subitamente, houve um acentuado acréscimo de visitas ao Blog, mesmo de gente que há algum tempo já cá não vinha, mais precisamente desde que estive uns dois meses afastado da Blogosfera.
E até de pessoas que, tanto quanto consigo saber, jamais me tinham visitado ou o tinham feito de modo muito esporádico.Mas a minha surpresa não pára por aqui.
Chegou-me também cerca de dezena e meia de emails de frequentadores habituais do Blog e de não frequentadores, expressando simpatia e solidariedade. Sim, simpatia e solidariedade!!!Estou sinceramente estupefacto! Ignoro em absoluto o que se passa. Será que alguém pode e quer dar-me a explicação do sucedido?Tudo isto é uma surpresa para mim. Muito agradável porque me faz saber que o que vou escrevendo vai chegando com algum agrado às pessoas e elas me aceitam muito melhor do que eu esperava, sim, mas surpresa, ainda assim.Que terá acontecido que eu tenha feito, sem saber, ou que alguém tenha feito por mim ou para mim, sem que eu tenha sabido também, para que tudo isto, tão agradável, me esteja a acontecer?Estou a gostar, lá isso estou. Mesmo que nunca venha a conhecer o motivo de tal acontecimento feliz, não deixarei de gostar. E muito.Por essa razão, a todos, sem excepção, endereço os meus melhores agradecimentos e a expressão do muito apreço pelo apoio que me estão dando, sem, que eu, contudo, saiba porquê.Resta-me agradecer também - e de forma muito especial, que me desculpem todos os restantes blogamigos - à pessoa (ou pessoas, que sei eu?) que para tal sucesso terão contribuído de forma decisiva, tão carinhosa, tão socialmente relevante.
Sinceramente, não me considero merecedor de tamanha distinção.De qualquer forma, o meu Natal, por tudo isto, vai ser muito mais alegre e compensador.Bem hajam, pois! Também por fazerem da Blogosfera um cadinho de simpatia extrema e solidariedade sem limites, onde cada vez mais apetece estar.
Num Portugal cuja sociedade está a extremar-se de forma quase assustadora já, constitui um refrigério, um bálsamo para a alma ser-se objecto de tamanho afecto. De tal modo que faz renascer a esperança em melhores e mais risonhos dias para o todo que constituímos.
Até nisso a Blogosfera é diferente para melhor e se mostra capaz de revigorar os laços sociais entre os cidadãos, em busca de uma sociedade mais justa e congregadora.
Claro que, como em tudo, há excepções, mas elas não passam, afinal, de meras confirmações da regra. E, claro, têm a importância que têm e daí não passam, porque chegaram ao ponto de incompetência de que falava L.J Peter, em relação à Administração e à hierarquia que nela se desenvolve e medra. O célebre "Princípio de Peter".
O caminho é em frente e faz-se caminhando. Então, continuemos a avançar. Estupefactos, sim, mas sempre em frente.
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Aqui fica um abraço solidário para o António Balbino Caldeira, agora arguido ignora-se por que razão, mas presumindo-se que... nem por delito de opinião sequer.
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