Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

quinta-feira, 17 de maio de 2012

2949. A hipocrisia galopante

A hipocrisia é uma das mais marcantes características da sociedade portuguesa, melhor dito, de estratos da sociedade portuguesa, sendo o da Oposição e o da maior parte da opinião publicada bem exemplificativos.

Quando se constatou que Portugal não poderia passar sem um pedido de ajuda externa, logo se constatou igualmente que os tempos que estariam para vir seriam duros, muito duros. Havíamos andado a folgar, a rir e a cantar por tempo demasiado e essa postura de irresponsabilidade colectiva iria sair-nos caríssima, como era inevitável que acontecesse.

Quando o pedido de ajuda foi feito e conhecidos os termos do memorando, mais se acentuou a percepção de que o futuro iria ser tudo menos risonho por um período alargado e tanto mais alargado quanto menos decididamente e com custos reais para o conjunto da nação, o problema fosse atacado.

Ora, os custos a suportar – toda a gente com dois dedos de testa o sabia – teriam que fazer-se sentir na diminuição dos rendimentos da população (rendimentos fictícios, como se sabe, por não terem sustentação real no esforço nacional e respectiva produção, pelo que o suporte vinha quase exclusivamente dos impostos que os nossos parceiros europeus pagam).

E a diminuição dos rendimentos gerais teria que resultar – também todos o sabíamos – da abolição de direitos sem suporte e de regalias sem amparo.

A abolição de direitos e de regalias é evidente que teria que visar a diminuição de salários e a perda de emprego para muita gente e bem assim a suspensão de subsídios e outras prebendas similares.

Pretender-se que assim não fosse é ser-se muitas coisas e todas elas pouco dignas, mas, logo em primeira mão, completamente idiota.

Alguém em seu juízo perfeito, de boa fé e consciente das realidades é capaz de vir dizer que, quando lá no respectivo agregado familiar as coisas correm mal sob o ponto de vista económico, a atitude que toma é a de viver como se tivesse ordenado de nababo, em vez de realisticamente apertar o cinto?

Quando no agregado familiar as coisas correm mal, continua-se a pagar à mulher-a-dias ou dispensam-se-lhe os serviços e começa-se a passar a ferro por si mesmo? E, quando se dispensa a mulher-a-dias o dispensante é um patife fascista ou está a zelar pelos interesses do agregado familiar?

Ora, um país mais não é do que um agregado familiar de proporções gigantescas.

Como é que pode alguém bem intencionado pretender que numa situação como aquela em que nos puseram, os níveis salariais se mantivessem intocados e o desemprego ao nível percentual anterior à crise?

Mas isso contradiz tudo o que o senso das realidades determina. Assim sendo, não estaríamos em crise. E estamos assim, precisamente porque alguém nos meteu em crise. E nós ajudámos à festa. Já elegendo-os, mesmo quando vimos que não serviam e que estavam a tramar-nos, já levando vida de ricos, quando não passávamos de pelintras, a viver à custa de terceiros.

Só esta última condição, a de termos vivido tantos anos à custa do esforço e dos impostos alheios, devia ser tal motivo de embaraço para todos nós que uma postura de dignidade obrigar-nos-ia a manter uma atitude de recato e a trabalhar duramente para pagarmos o que devemos e sairmos rapidamente deste lamaçal.

Para nunca mais nele deixarmos que alguém nos metesse.

Pois bem, não é isso a que temos vindo a assistir, o que revela bem a falta de brio e hipocrisia que assola a sociedade portuguesa actual, de que são bem representativas as atitudes dos que isto causaram e agora começam a querer aparecer como se limpos estivessem e os culpados sejam aqueles que estão a esforçar-se por devolver a dignidade ao país e aos seus cidadãos.

Com sacrifícios, sim. Porque sem sacrifício ninguém consegue seja o que for. Porque é o sacrifício que limpa a alma e redime o pecador.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

2948. Coimbra 2011

 
Coimbra 2011 - um outro olhar, um sentimento perene



2947. Seguro, cheerleader de Hollande


E sclarecimento, talvez desnecessário:

"Cheerleader" significa chefe de claque.

Trata-se daquelas meninas que a anteceder os eventos desportivos e no seu intervalo, animam as hostes, abanando os seus atributos e plumas ou pompons, o que intenta nas ditas hostes, causar descompressão da tensão nervosa e, ao mesmo tempo, despertar a ocular.

Não fazem parte do espectáculo principal, o que realmente conta, mais não sendo do que mero derivativo, inconsequente, de foguetório, para distrair.

Se for necessário, são levadas mesmo a correr atrás das canas dos foguetes dos festejos, para que não fiquem espalhadas pelo recinto, em amontoado de fim de festa desleixado.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

2946. As bichas de racionamento


D epois da aventura do 1º de Maio, em que dezenas de milhares de desgraçados “raparam” de cem euros cada um e foram para as bichas do Pingo Doce, mostrar como dinheiro é escasso, depois de ter sido amealhado, mais do que nunca, de há 20 anos para cá, nos cofres das contas bancárias das várias classe médias que por aí pululam à míngua, agora calhou a vez de Armação de Pêra.

Mais um exemplo impressionante de como a crise está a afectar os portugas foi dado este fim-de-semana, naquela, praia algarvia.

A crise é tão grande, tão violenta, tão desmedida, tamanha, que a oferta de produtos de primeiríssima necessidade se mostra incapaz de satisfazer todos os necessitados que buscam um pequeno conforto – por mais ínfimo que seja – que lhes amenize as agruras do dia-a-dia.

Foi então que tiveram de recorrer a meios drásticos, para tentar, numa fila interminável, conseguir um lugar que lhes permitisse obter o produto de que tanto estavam a necessitar para o sustento no dia que aí vinha.

E a solução qual foi? Começarem a formar “bicha” às onze da noite da véspera, esperando pelo manhã seguinte em que, de permeio com uns quantos empurrões, certamente imensos palavrões e outros gestos de delicadeza extrema, que isto de boa educação e civismo é apenas com os pobrezinhos todos muito bem educadinhos, arrancarem para si e para os seus o produto tão desejado e tão necessário à respectiva subsistência.

E, como a crise é geral, a todos contemplando, era “malta” de todos os recantos do país, do Minho ao Algarve e só não até Timor, porque entretanto o Império… fora-se, oh, fora-se!

Mas que produto de primeiríssima necessidade é esse, que obrigou as pessoas a passarem uma noite inteirinha sentadas em cadeiras de plástico ou deitadas em soleiras de portas, na esperança de não perderem a oportunidade de matarem a fome que os atormentava?

Se é fome, só pode ser de pão, arroz? Ou batatas, cuja falta tanto os tem feito sofrer!

Não, que ideia. Trata-se de produto de muito maior carência e necessidade, que satisfaz as mais primárias necessidades de qualquer ser humano que se preze, ainda que sem dinheiro para o adquirir:

O toldo de praia !!!

Portugal está assim, que se lhe há-de fazer?

Nota:
Eu não estive lá porque, como bom capitalista, fiquei em casa, aqui na margem do Sado, a comer roer cartilagens de camarão do fino e cascas de lagosta da grossa, que é com o que diariamente mato a desgraçada da fominha.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

2945. As SCUTs

É conveniente relembrar...

O escândalo das SCUTS explicado mais em pormenor, em reportagem da TVI, de 11 de Maio de 2011.


Veja 


quarta-feira, 2 de maio de 2012

2944. Duas histórias da actualidade portuguesa (2)


C omo é hábito cá por casa, semanalmente, hoje calhou irmos fazer o rancho ao hipermercado de onde gastamos.

Ora, calhou-me ser eu a ter de ir procurar o açúcar de que precisamos para. Aproximei-me da bancada e, tendo recolhido a embalagem que me interessava, preparava-me para abandonar local quando fui interpelado por uma senhora, pedindo-me que lhe chegasse uma embalagem de outra marca de açúcar. Prontamente acedi. No entanto, reparando no preço, virei-me para a senhora que estava já a arrumar a embalagem no carrinho das compras e disse-lhe:


- Desculpe-me, mas permite-me que faça uma observação?

- Certamente, faça o favor.
- Reparo agora que a senhora vai levar o açúcar da marca “x” que é um bom produto, sem dúvida, mas talvez não saiba que o açúcar da marca da casa, ou seja, “branca” é mais barato…
- Pois é…
- … mas, além de substancialmente mais barato é o… mesmo.
- ?!?
- Sim, o mesmo. Tal como acontece com o leite UHT e tantos outros produtos, o açúcar com a marca deste hipermercado é o mesmo, é embalado no mesmo sítio que esse da outra marca que a senhora leva. A diferença está apenas na embalagem.
- Não me diga!...
- Posso garantir-lhe que é. Sei de fonte segura. E já reparou bem na diferença de preços entre ambas as embalagens, ambas de 1 quilo? De modo que é muito mais conveniente usar a marca “branca”.
- Sendo assim, tem toda a razão. Agradeço-lhe a informação. Mas, sabe… estou habituada a esta marca, pelo que a levo.

Cai o pano, com uma síncope, apenas faltando esclarecer um pormenor. A embalagem de 1 quilo do açúcar da marca que a senhora levou custava 1,39€; a embalagem, igualmente de 1 quilo do mesmíssimo açúcar, da marca da casa, “branca”, portanto, custava 0,95€ A diferença é, pois, de apenas 0,44€. Coisa pouca num singelo quilo de açúcar!...

Que se há-de fazer?!

Portugal está assim. Por mais que algumas almas queiram desmentir, Portugal está mesmo assim.

2943. Duas histórias da actualidade portuguesa (1)



N ão sei se Vocências se aperceberam do charivari, ou seja, chinfrim, balbúrdia, desordem, alvoroço, gritaria que ontem se armou nas lojas do Pingo Doce.

Já sei que vai haver algumas  almas muito piedosas que virão logo com lições de moral, dizendo que aquilo que Alexandre Soares dos Santos fez é uma patifaria aos trabalhadores e aos consumidores.

Mas confesso que estou marimbando-me para essa parte da questão, muito embora tenha alguma dificuldade em perceber como é que os consumidores se irão mostrar muito danados com o homem, depois do bodo que receberam e mesmo os trabalhadores, quando chegar o momento do pagamento que lhes vai ser feito do trabalho extraordinário que ontem tiveram. Mas, como disse atrás, não quero saber dessa questão.

O que me traz aqui é o seguinte:

Pelos vários estabelecimentos do Pingo Doce espalhados pelo País passaram ontem, dezenas de milhares de pessoas, que se empurraram, se insultaram, se bateram, se esgadanharam, pintaram a manta, para chegar aos produtos que lhes interessavam. Foi engraçado, mas também não é isso que me ocupa neste post.

O que me ocupa neste post é o que segue.

Não sei se Vocências repararam que houve ontem dezenas de milhares (pelo menos!) de pessoas que entraram nos estabelecimentos Pingo Doce para fazer aquisição de bens.

Pois….

Até aqui nada de surpreendente. As pessoas foram ao engodo de preço anormalmente aliciante, bónus antes insuspeitado. Portanto, tudo “normalmente normal”.

Só que… para terem acesso esse aliciante, a esse bónus, necessitavam de fazer compras no valor mínimo de 100 euros.

Então, é assim:

ontem, dia 1º do mês de Maio do ano da graça de 2012 da Era de Cristo Nosso Senhor, houve em Portugal – onde, rezam as crónicas de vida, diárias, se morre de penúria – dezenas de milhares (pelo menos!) de pessoas que dispunham, sob as mais diversas formas (dinheiro vivo, Multibanco, cartão de crédito, etc.) de 100 euros por cabeça, prontos a ser gastos.

Mais:

Não consta que nenhuma dessas pessoas fosse mulher, irmã, filha, enteada, sobrinha, neta, bisneta, trineta, tetraneta, amiga colorida, conúbia, e por aí fora de, por exemplo Joe Berardo ou Américo Amorim ou Duarte Lima ou José Pinto de Sousa ou outro qualquer assim, pela simples razão de que as mulheres, irmãs, filhas, enteadas, sobrinhas, netas, bisnetas, trinetas, tetranetas, amigas coloridas, conúbias desses ilustres senhores não se metem nessas coisas, por não precisarem e essas coisas se destinarem ao povoléu ou povo ao léu e não a elas.

Mas nem elas nem outras com rendimentos menos avultados, mas razoáveis ainda assim. Quem se mete nestas coisas são as gentes da classe média, maioritariamente da média baixa

Portanto e resumindo, houve ontem dezenas de milhares (pelo menos!) de pessoas do povoléu que dispuseram, sob as mais diversas formas (dinheiro vivo, Multibanco, cartão de crédito, etc.) de 100 euros – uma centena de euros!!! – por cabeça, prontos a ser gastos.


Alexandre Soares dos Santos tem destas coisas, raios o partam! De uma assentada, com é hábito, destrói, deita por terra, teorias e conceitos aceites como certos e que, afinal não passam de endrominações sem jeito.

E mais, num só gesto, demonstra aquilo que alguns, como eu e outros, de há muito andamos a tentar demonstrar por escrito.

Que se há-de fazer?!

Portugal está assim. Por mais que algumas almas queiram desmentir, Portugal está mesmo assim.

Por alguma razão os depósitos bancários têm vindo a crescer anormalmente, para o que era hábito.

sábado, 28 de abril de 2012

2942. O delinquente


De que delinquiu não restam dúvidas.

A questão que se põe é averiguar na Justiça se se tratou de o fazer apenas politicamente.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

2941. O aviso de Eduardo Lourenço


Q ue a ninguém restem dúvidas!

A atitude de
Soares e de Alegre, a que há que adicionar as movimentações dos “donos da democracia que temos” e bem assim a vozearia em uníssono que a esquerda parlamentar faz diariamente, de conluio com os principais fautores da desgraça a que fomos conduzidos ao fim da última década e meia, configuram uma tentativa semelhante à desenvolvida em 2004, que teve por apogeu a entronização, com os efeitos que estamos a suportar agora em toda a sua agudeza e extensão, da criatura de Vilar de Maçada, agora distinto filósofo.

A diferença está em que neste momento não têm, como então tiveram, ao seu dispor um presidente da república capaz de ignorar os mais elementares deveres do cargo, para servir o interesse particular de amigos e camaradas e, por isso, o esforço tem de ser maior, mais concertado e requer muita urgência, antes de que o sinal da crise que atravessamos comece a mudar se sentido, o que pode acontecer a partir do final do terceiro trimestre do corrente ano.


Para eles, como cantaria Elvis Presley, it’s now or never!


É bom que as pessoas de boa fé e que não alinham nestas manobras de política de tornozelo se capacitem disso mesmo e estejam atentas.


Em regimes ditatoriais estas atitudes são comummente aceites; em regimes democráticos como o nosso, ainda que até aqui mais formal do que outra coisa, são absolutamente inadmissíveis e por todos os cidadãos de boa fé e conscientes das obrigações cívicas a que um Estado de Direito obriga, devem ser vivamente rejeitados.


O aviso de Eduardo Lourenço, até por ser pessoa absolutamente insuspeita, de que tais movimentações “são um sin
al que se percebe, mas que pode ser lido com alguma preocupação” e que “espero que não aconteça”, porque “seria uma espécie de voltar outra vez atrás”, não deve ser desprezado nem deixado cair em saco roto. Mais claro do que aquilo…

Aqui fica, para que ninguém venha depois alegar ignorância.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

2941. As efemérides e seus donos


AS EFEMÉRIDES E SEUS DONOS

Há feriados que, embora não festejados com pompa e circunstância, não são alvo de manipulação, sendo, por isso, consensuais e outros que estão nos antípodas dessa consensualidade e, portanto, da dignidade indispensável a tais datas.

Os casos mais evidentes de uns e outros são os feriados de 25 de Abril, de 10 de Junho, de 5 de Outubro e de 1 de Dezembro.

Claro que há grandes diferenças entre uns e outros, datas relevantes da nossa História.

O de 10 de Junho, por exemplo, comemora nem se sabe bem o quê, uma vez que o primeiro e determinante acontecimento que levou à nossa identidade nacional foi a batalha de São Mamede, travada em 24 de Junho de 1128, devendo ser essa, pois, a da comemoração da Fundação de Portugal. A de 10 de Junho em nada é para o assunto chamada.

Com ela comemoramos o quê? O facto de o País ter ficado sem o seu Poeta maior, já que teria morrido precisamente nesse dia e essa a razão por que uma alma cretina se lembrou de que deveríamos comemorar o dia da Nação nessa data? Se há datas idiotas nos nossos festejos nacionais, esta é, sem dúvida a maior de todas.

E causa funda estupefacção que os revolucionários de Abril – ou alguns dos seus aviltadores – tenham deitado abaixo tudo e mais alguma coisa que lembrasse o Estado Novo e não o tenham feito relativamente, como se impunha, a uma data que não passa de uma verdadeira treta e a ninguém diz nada, excepto a uma cabecinha tonta do Estado Novo, como já referi.

Afastado o 10 de Junho, por falta de cabimento, restam as três outras, 25 de Abril, 5 de Outubro e 1 de Dezembro.

O 25 de Abril há-de vir a ter a dignidade de um 5 de Outubro. E merece-a. Ainda a não tem, contudo. E por que razão a não tem e apenas a virá a ter? E quando a virá a ter?

Pois bem, não a tem, porque aquela data, que era suposto ser de todos os Portugueses, parece cada vez mais de apenas alguns, que a têm apequenado, por se reclamarem seus donos, coutada sua.

Uma data festiva, que devia ser de alegria geral, torna-se, por isso, divisor comum, contrariamente ao que se impunha que fosse, ou seja, comum, sim, mais denominador.

Quanto ao momento em que poderá passar a ser uma data consensualizada e aceite, real e sinceramente festejada por todos, não estou em condições de precisar a data em que acontecerá. Mas, de uma coisa tenho a certeza: não acontecerá antes de que se vão todos aqueles que hoje têm a lata de se reclamar seus donos. E outra coisa estou em condições de garantir. Pode levar mais ou menos tempo, mas vai acontecer. Felizmente.

Nessa altura, sim, o 25 de Abril, chegará ao patamar do panteão onde se encontram o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro. Por enquanto, infelizmente, não. Os “pais da pátria… deles” não deixam que tal aconteça. Em desespero de causa, não deixam!...

Portanto, enquanto o feriado de 10 de Junho pouco ou nada diz a quem não foi alienado pela propaganda do Estado Novo e não é ignorante ou descuidado como os próceres abrilentos, as outras três datas são representativas de momentos da História de Portugal que merecem ser recordados. Mesmo sem esquecer que o 1º de Dezembro tem um lugar verdadeiramente à parte na História Portuguesa.

Porquê? É que, enquanto o 25 de Abril comemora a reinstauração da Democracia em Portugal e o 5 de Outubro a implantação da República, conceitos e valores de uma enorme dignidade a que todos devemos homenagem, o 1º de Dezembro celebra a restauração da independência do País, isto é, subtrai-nos ao jugo do estrangeiro. E muito embora todos se revistam de enorme dignidade, não são, ainda assim, comparáveis.

E, precisamente agora, que tanta alminha ignara por aí se indigna por alguma perda da independência, no seio de uma organização em que todos os membros a perdem em prol do bem comum que se prossegue, causa verdadeira surpresa que a reconquista da independência, sacada a ferros das mãos do agressor estrangeiro, em 1 de Dezembro de 1640, seja levada em tão pouca conta.

Uma última nota de esclarecimento necessário: não fui, não sou e presumo que jamais virei a ser monárquico.

terça-feira, 24 de abril de 2012

2940. Salvamento de golfinhos

Salvamento de golfinhos filmado às 8 da manhã de 05 de Março de 2012 na Praia de Arraial do Cabo, litoral do Rio de Janeiro.



segunda-feira, 23 de abril de 2012

2939. Seguro de inseguro, pensa Seguro


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S eguro de inseguro, pensa Seguro que Christine Lagarde é parvalhona, por dizer que as coisas em Portugal estão a seguir o rumo certo.

Que nada está bem e que ninguém deve acreditar nela, porque tudo em Portugal corre mal é o que ele propala.
Claro que os “excelentíssimos mercados” muito lhe agradecem, pois que assim não cairão no logro de investir em Portugal e o País também agradece penhorado, porque essa coisa de os estrangeiros virem cá investir para ficarem com os lucros é coisa de mafarrico.

Nada melhor para a confiança se instalar do que as “bouches” ou “buchas” ou lá o que é… do Tozé.

Keep going old chap! You got the pow(d)er!

domingo, 22 de abril de 2012

2938. Acredito... não acredito...

"Prontos"!
Agora já não acredito.

* * *

Constâncio: Regresso em 2013
 
O vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, afirma que Portugal vai melhorar o acesso aos mercados financeiros, cumprindo o programa de ajuda externa, e que regressará aos mercados na data prevista (Setembro de 2013), se a conjuntura económica se mantiver.

* * *

ÚLTIMA HORA !!!

Afinal, a declaração de Constâncio tem o aval do chefe.
Já acredito outra vez...

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

terça-feira, 17 de abril de 2012

2936. Década 2000-2010 em Portugal


Respigos de afirmações de Medina Carreira do programa “Olhos nos olhos” da TVI, de ontem:

1 –
Entre 2000 e 2010,

A receita pública cresceu 36.000 milhões de euros;
A dívida pública cresceu 100.000 milhões de euros.

Notas:
a) Significa que nessa década, tendo a dívida pública crescido 100.000 milhões de euros,
isto é, à razão de 10.000 milhões de euros anuais, ou seja, à razão de mais de 830 milhões de euros por mês
b) Na década em questão, o PS foi governo sozinho durante 8-anos-8, ou seja, 2000, 2001, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010.
c) Surpreendemo-nos e achamos que agora é que estamos a ser roubados?!

2 –
Se entre 2013 e 2017 a economia crescer à média de 1,5%% ao ano, no final do período apenas se conseguirá recuperar 4.000 milhões de euros, que correspondem ao valor do corte do subsídios agora cortados.

Nota:
a) Na famigerada década 2000 a 2010 a economia cresceu à média de 0,6% ao ano, ou seja, foram 10 anos a rasar a recessão...
b) Ainda nos surpreendemos e achamos que agora é que estamos a ser roubados?!?!

3 –
O que Portugal vive actualmente é tão simples como isto:

Trata-se de um permanente problema de tesouraria, resultante da circunstância de o Estado

* não ter dinheiro;
* não poder depreciar moeda;
* não poder mexer em juros;
* não poder aumentar a carga fiscal por a receita daí resultante não aumentar;
* não encontrar já quem lhe empreste o dinheiro de que precisa;
* viver dependente das “tranches” trimestrais que lhe são enviadas pela “troika”, após as avaliações do desempenho das cláusulas do acordo, o que faz com que se a tranche vier ser razoável a disponibilidades de tesouraria para satisfação dos compromissos assumidos e se não vier ser nula tal disponibilidade .

Nota:

Mas, na verdade, surpreendemo-nos ainda e achamos que agora é que estamos a ser roubados?!?!?!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

2935. "Doutores e engenheiros"


Um post de José Madeira Amorim hoje colocado no grupo Ubi societas ibi ius, do Facebook, acerca de um artigo da autoria de João Adelino Faria, intitulado “Doutores e engenheiros”, em que o jornalista refere o ridículo de muita gente – quase toda a gente – exigir o tratamento por “doutor ou engenheiro”, circunstância a que já me referi também há algum tempo, sugeriu-me este post de algo se possível ainda mais ridículo.

É o caso da assinatura de ofícios ou cartas mais ou menos oficiais.


Veja a imagem abaixo e repare bem na completa idiotice dos licenciados portugueses.


Os exemplos que indico encontram-se com maior frequência em correspondência de câmaras municipais, mas também os há – e muitos, demasiados – na da administração central.


É frequente que, a seguir ao tradicional “
Com os melhores cumprimentos” e sob a assinatura do dito cujo “chefe da coisada”, apareça a indicação de que se trata do “Dr. Fulano de tal”, sendo que o fulano, num assomo de comovente modéstia, se dá ao enorme incómodo de traçar, com leve risquinho, para não esconder por completo – hã?!?! – a “categoria” do animal.
 
Mas ainda mais ridículo, se tal é possível, é ver a coisa feita ao contrário, ou seja, “Fulano de tal, dr.” (o pormenor da “bírgula”, é uma verdadeira delícia!!!), o que é o supra-sumo da modéstia pessoal do “de cujus”. Não só porque o fulaninho aparece aqui como “dr” e já não com “Dr”, mas porque não se esquece do tal tracinho por cima, mas suficientemente discreto para não esconder o que escondido não deve ser… 

Curioso também, é que os meninos nada têm a que se agarrem, que os autorize a exigirem tal tratamento.

Ai, Portugal, Portugal… que nunca mais sais da era das Trevas.

2934. A Segurança Social e o “plafonamento” - 3


Ora aqui têm, caros senhores e senhoras, os dois itens absolutamente indispensáveis a quem que pretenda contribuir para que a Segurança Social portuga não vá de vez pelo caneiro de Alcântara abaixo.

1. quanto ao primeiro deles, nem digo qual o fim, pois que parto do princípio de que quem não sabe ainda é caso perdido, com que não vale a pena perder tempo;

2. quanto ao segundo, é objecto de extrema utilidade para que qualquer portuga veja bem o sexo da pessoa com quem se apresta a procriar, para depois não venha com queixas palermas de que se enganou ou foi enganado ao tentar fecundar quem ou ser fecundado por quem é manifestamente incapaz de tal…

Fica, pois, feito o aviso!

2933. A Segurança Social e o “plafonamento” – 2



Mas, por uma questão de compreensão imediata – pois que se não uso o celerado “plafonamento” corro o risco de não ser compreendido, pois que o portuga de Lineu, sem conhecimentos suficientes para ajuizar criticamente seja o que for, vai sempre atrás das maiores barbaridades que as “cabessinhas pinsantes” descobrem com a sua estupidez ingente – vou usar a parvoíce do termo.

A ideia do “plafonamento” será, pois, a de oficialmente, nos ordenados da malta, se descontar, contando para a aposentação ou reforma, apenas até determinado montante do ordenado, por exemplo, até 2.500 euros.

Quem ganhe acima daquela quantia, se quiser vir a ter uma pensão de maior valor, terá que constituir, por si próprio e de acordo com seguradoras ou outros agentes, planos de reforma, independentes da pensão que oficialmente receberão.

Pessoalmente, tenho sérias dúvidas de que isto funcione. E até hoje ninguém me provou, com contas feitas, que a coisa funciona.

E por que razão duvido? Porque a importância que oficialmente se desconta é sempre inferior – muitíssimo inferior – ao que mais tarde se vai receber, isto é, a Segurança Social vai ter sempre déficit.

Só não terá déficit se, aberta ou encapotadamente, alguém se lembrar de começar a aplicar a célebre solução final nazi…

O modo de resolver, mas apenas no imediato, o problema, seria, quanto a mim, deixar de chamar ao desconto “para a aposentação ou reforma”, rebaptizando-o de “desconto social” e a ele obrigando todos, incluindo os aposentados e reformados.

Entrar na aposentação ou na reforma passaria, deste modo, a significar apenas e tão só deixar de ir ao emprego e passar a jogar à bisca lambida em bancos de jardim. Quanto ao resto, manter-se-ia tudo igual.

Repare-se que só o deixar de ter a obrigação de se deslocar diariamente para o emprego é, sob o ponto de vista de economia pessoal ou familiar, um ganho muito significativo, com as despesas a que se estava obrigado com as deslocações, as refeições tomadas fora, o vestuário e calçado que se é obrigado a ter, etc., etc..

Uma tal medida, impõe-se, portanto, à evidência.

No entanto, também ela seria, como digo acima, solução muito transitória, porque a única real, excluindo a do homenzinho do bigodinho ridículo e dos gritos histéricos, por razões óbvias, será a de mais difícil concretização, haja em vista o que por aí se constata.

E o que é que por aí se constata? Constata-se que os portugas usam muito frequentemente o órgão errado na recíproca fecundação. E qual é esse órgão errado? A língua, que não serve para isso. E mesmo que usem o órgão adequado, há cada vez mais quem o faça na pessoa do género errado.

Dito de outra maneira, sem arcas encoiradas. Enquanto os portugas não se decidirem a fecundar-se uns às outras, e ficarem à espera de que o vizinho do lado lhes faça o servicinho, o que não acontecerá porque o vizinho espera o mesmo dele… estaremos feitos ao bife!

É só fazer contas. Rápidas e perfeitamente perceptíveis.

Um tipo desconta para a reforma dos 30 aos 65 anos (35 anos, portanto) 10% do que ganha; depois vive outros 35 anos a receber o correspondente a 80% do que ganhava. Onde se vão buscar os 70% de diferença? Ao Totta?

2932. A Segurança Social e o “plafonamento” - 1


Ora muito bem, comecemos pelo princípio. O “plafonamento”, de que fala essa tropa fandanga que por aí anda a dizer cretinices, é coisíssima nenhuma.

A palavra radica pretensamente no termo francês “plafond” que significa “tecto”.

Com “plafonamento” querem eles, pois, dizer “colocar, dar um tecto”. Só que o termo pura e simplesmente não existe na Língua Portuguesa. É, pois, mais uma merdice das habituais. Que nem existe em Francês, imagine-se!!!

O que existe em Francês é o verbo “plafonner”. Mas não significa “colocar tecto”, como esses idiotas pressupõem, mas sim “forrar, estucar”. Tectos mas não só tectos.

Portanto, o que eles andam a dizer é que o problema da Segurança Social se resolve – ou não se resolve – com o “estucamento dos tectos salariais”. O que, como está bom de ver, é uma completa idiotice.

Além de que “estucamento” também não existe em Português. O que existe, sim, é “estuque”, ou seja, pó de mármore, misturado com cal ou gesso, que serve para cobrir tectos e paredes, tornando-os mais atractivos.

O que eles querem dizer em Português escorreito é que é necessário “pôr um limite máximo aos salários passíveis de descontos que contem para a aposentação ou reforma oficiais”. Ou mais simplesmente e sempre em termos oficiais, “limitar os descontos”, “limite de descontos” e por aí fora.

Ora, vão-se “plafonar” seus cretinos… De preferência simplesmente com umas boas pazadas de cal e dentro de um caixote de madeira…

Adenda:

Cabe mais um esclarecimento que, por lapso, não acompanhou o texto do post.

Mesmo o termo francês "plafonnement" não significa tecto, mas sim "capa" que, afinal, é o que o estuque é, ou seja, capa de paredes e tectos.

Já viu bem as idiotices que por aí surgem, de tempos a tempos?

* * *

E o "paradigma", em substituição de "exemplo", "modelo", "padrão" que tal?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

2.931. O AO90 a preceito...

Ora aqui têm Vocências, o resultado prático do cele(b)rado acordo ortográfico 1990, em texto lido pelo computador, portanto sem batota:

* Aqui, o texto escrito *


O espetador ansiava pelo espetáculo e o ator objeto de seleção estava com enorme ereção, o que prenunciava ação muito movimentada com a reação da fação contrária, a bonita e fogosa atriz.

Tão curioso estava o espetador que o ator se virou para ele e logo avisou:


- Deixa-te lá de ideias que aqui quem espeta sou eu!


Porém, ela era também professora e demorou-se mais a lecionar os alunos. Assim, todo o projeto ruiu pois a ereção foi-se de vez e, naquela tarde, não voltou.


Então o diretor de cena amuou, finalizou a projeção e foi para casa, fazer uma preleção à mulher para arranjarem filhos por adoção porque agora não se fazem como antigamente, por falta de consistente ereção lusa, manipulada por tupis e guaranis da selva amazónica.


Ou seja, estamos feitos ao bife, raios os partam!


* Aqui, o texto em audio *

                                                        http://ruvasa.org/ao90.wma